coisas do cinema (vulgo, do amor)

(…)

Neste sentido creio que o Autor não será tanto um prosador objectivo, mas antes um poeta sonhador que poderá – sempre que achar necessário – divagar num outro poema, numa outra estrofe.
 Analise-se David Lynch. O mundo obscuro, ilusório, quase fantasmagórico de Inland Empire(2006) ou Mulholland Drive(2001), esvai-se numa cruel e objectiva visão simplista do “mundo Alvin Straight” em The Straigth Story(1999). Neste caso, perdeu-se uma linha autoral que vinha sendo estabelecida em filmes como Eraserhead(1977), Blue Velvet(1986), a série Twin Peaks(1990-1992) e Lost Highway(1997), mas não se perdeu o Autor. Isto levar-nos-á à questão: será o Autor fruto do tempo? Creio que o Autor é essencialmente produto duma metamorfose que não o descaracteriza se, a certa altura, sofrer mutações mais ou menos evidentes.  Concorde ou não com Alan Lovell, aceito como princípio básico do Cinema de Autor, um pedido de isolamento na consciência do realizador que, invocando um determinado estilo nos conduz para uma outra ideia do mundo. Cito aliás Andrew Tudor:

“Ver os filmes como obra de Autor envolve uma análise textual minuciosa e não um comentário crítico e breve. Infelizmente, ainda não estamos completamente certos da linguagem em que o texto está escrito. A ideia de Autor dirige de novo a nossa atenção para estas preocupações.”

(…)

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~ by egoista on May 19, 2009.

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