é assim

 

“Não. Espera. Não acabei ainda.

Não acabei ainda. O filme talvez, mas eu não. Lembras-te do que somos? Dois corpos. Pois é: dois corpos. E dois corpos, já o disse, não carecem de mais do que da fugidia linguagem dos sussurros, dos beijos que eriçam a pele, dos arquejos que preparam a doce deflagração de um amplexo. O idioma topográfico da epiderme transpirada é o único que importa – o único que é preciso dominar quando não se trafica mais que o amor. Que diferença faz se esses dois corpos não são capazes de se entender plenamente utilizando o código das palavras? Que importa a gramática de raiz latina quando duas bocas estão demasiado próximas para que qualquer vocábulo possa ser dito.” 

 

“O amor é para os parvos” de Manuel Jorge Marmelo
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~ by egoista on May 25, 2008.

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